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FMI considera crescimento de Moçambique robusto

FMI considera crescimento de Moçambique robusto - Lateorke Oil Gas

Maputo - 2014/01/16 - – O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que o crescimento da economia moçambicana manteve-se “robusto” em 2013 e um dos maiores ao nível da África Subsaariana. Esta é a avaliação desta instituição financeira no âmbito da primeira revisão do Programa de Apoio à Políticas (PSI) - um instrumento usado na análise e apoio às políticas económicas de um determinado país -, segundo disse hoje, em Maputo, o Representante Residente do FMI no país, Alex Segura.


“O crescimento da economia moçambicana em 2013 manteve-se forte. É já conhecido que o PIB em 2013 tenha crescido em 7,1 por cento, é um nível de crescimento económico muito elevado, um dos maiores da África Subsahariana”, disse Segura, falando em conferência de imprensa destinada a apresentar o conteúdo desta revisão.


Por outro lado, a fonte ressaltou que a inflação manteve-se “relativamente estável” ao registar uma média anual de 4,2 por cento, situando-se abaixo da meta de médio prazo do governo, estimada em 5,6 por cento.
Segura apontou ainda o desempenho do sector fiscal, que superou as metas, influenciado, segundo referiu, pelas significativas receitas extraordinárias de mais-valias. Neste aspecto, ele disse que o governo colectou receitas de mais-valias num total de 624 milhões de dólares, o que corresponde a quatro por cento do PIB.


“Portanto, crescimento económico robusto – 7.1 por cento em 2013 -, inflação moderada, resultado fiscal satisfatório. Três indicadores que o Fundo Monetário segue com o governo de Moçambique, tiveram resultados satisfatórios”, disse.


Além da evolução da economia em 2013; a revisão do FMI também abordou o desempenho do Programa Economico do governo apoiado pelo FMI; perspectivas para 2014; bem como alguns riscos à economia moçambicana.


O FMI considera que, no geral, o desempenho do governo no âmbito do PSI continua satisfatório.
No que se refere a 2014, o FMI diz que as perspectivas para o médio prazo mantém-se fortes, sustentadas principalmente pelas exportações do carvão e investimentos na indústria do gás natural.


De acordo com a fonte, o crescimento do PIB este ano deverá acelerar para 8.3 por cento (o que está ligeiramente acima dos oito por cento previstos pelo governo), apoiado pela “forte recuperação” do sector agrícola, aumento da capacidade de linha-férrea de transporte de carvão, e implementação de vários projectos de infra-estruturas.


Contudo, o FMI prevê que, devido aos elevados investimentos previstos no sector de gás natural, o défice da conta corrente deverá alargar-se para cerca de 45 por cento do PIB em 2014 e permanecer relativamente alto até ao final da década quando arrancarem as exportações deste recurso energético.


Por outro lado, esta instituição prevê que este ano a inflação deverá acelerar para 5,6 por cento, o que coincide com as estimativas do governo.


Em relação aos riscos económicos, Alex Segura disse que Moçambique está exposto a riscos climáticos, de preços de mercadorias no mercado internacional e a uma potencial redução da ajuda externa.


Igualmente, o Representante do FMI disse que o país tem ainda riscos domésticos, que incluem possíveis atrasos na melhoria das infra-estruturas, em particular da linha-férrea para o transporte de carvão, dos portos e da rede de fornecimento de electricidade.


“Outros riscos estão associados ao aumento da insegurança e possíveis mudanças na implementação de políticas económicas no contexto das eleições gerais previstas para 2014”, anota a fonte.


Trata-se de insegurança provocada por confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e homens armados da Renamo principalmente na província central de Sofala e muito recentemente em Inhambane, no sul do país.
Entretanto, apesar de reconhecer a importância da estabilidade politica para a situação económica, o FMI afirma que esse risco não faz parte das suas projecções. “As nossas projecções e análises estão baseadas sobre um sistema de estabilidade politica e social. Esse é o nosso cenário base. Nós não projectamos efeitos negativos particulares associados. Um risco não é uma tendência central”, disse Segura.


Contudo, ele reconheceu que a insegurança pode criar problemas de abastecimento de bens e serviços, o que pode conduzir a aumento de preços “de forma localizada”, sendo, por isso, necessário “evitar esse tipo de situações que podem ter um impacto negativo para as populações afectadas por esse problema”.